Dentre a infinidade de doenças de origem genética conhecidas e que afetam os
seres humanos, existem algumas que são degenerativas e que afetam os tecidos
mais importantes e que nos permitim uma das características mais apreciadas dos
seres humanos: a vida e a independência. Tais enfermidades são denominadas
Doenças Neuromusculares.
Até o momento são conhecidas cerca de 40 doenças neuromusculares, classificadas
em grupos, conforme o tecido afetado, a coexistência ou não de neuropatias ou
apenas miopatias. Dentre as miopatias, podemos encontrar as distrofias
musculares, as miopatias inflamatórias, as miopatias metabólicas, as miopatias
por anormalidades endócrinas e outras miopatias. No caso das neuropatias, temos
as doenças dos neurônios motores, as doenças da junção neuromuscular e as
doenças dos nervos periféricos.
As distrofias musculares, com suas diversas formas, são as mais freqüentes
dentre as doenças neuromusculares e são conhecidas mundialmente. Por este motivo
foram eleitas para ser uma bandeira para as mais de 40 doenças neuromusculares.
As distrofias musculares classificam-se, atualmente, em nove tipos: miotônica,
Duchenne, Becker, cinturas, congênita, fácio-escápulo-umeral, óculo-faríngea e
Emery-Dreifuss, além de haverem sub-classificações. Cada um destes tipos e
sub-tipos tem uma origem genética diferente, um defeito em algum gene que causa
a ausência ou a falta ou a deficiência de algumas das proteínas que são
necessárias para a função muscular, levando a uma deterioração e destruição
progressiva deste tecido. A forma como se desenvolve a enfermidade, o momento do
aparecimento dos primeiros sintomas e sua severidade também variam segundo cada
tipo e sub-tipo.
Neste momento não há cura ou tratamento efetivo para que se detenha ou se
reverta o processo degenerativo da distrofia muscular e de grande parte das
doenças neuromusculares conhecidas. Apesar disso, há uma série de tratamentos
paliativos que podem melhorar alguns dos sintomas ou, pelo menos, tornar mais
lento o avançar inevitável da sintomatologia.
Em seu conjunto, as enfermidades neuromusculares afetam todas as etapas da vida
humana: Infância, Adolescência Adultícia e Velhice, em ambos sexos. Seus efeitos
podem ir desde a perda gradual da mobilidade e da independência, até causar
incapacidade severa e a morte, como em uma de suas formas mais graves, a
Distrofia Muscular tipo Duchenne.
Sua presença é mundial e não há país ou zona da Terra onde não haja indivíduos
afetados por algum tipo de distrofia muscular ou enfermidade neuromuscular. A
incidência das doenças neuromusculares em geral é de 1 entre cada 1000
nascimentos, enquanto que das distrofias musculares é de 1 em cada 2000
nascimentos. De forma individual, a doença neuromuscular mais incidente é a
Distrofia Muscular de Duchenne, a mais comum e severa, com 1 para cada 3500
meninos nascidos.
Apesar das enfermidades neuromusculares, em especial as distrofias musculares,
terem uma incidência maior que outras doenças genéticas mais conhecidas, elas
vêm sendo sempre cultural e socialmente marginalizadas na maioria dos países,
principalmente nos que estão em desenvolvimento, gerando incompreensão para com
os afetados.
A informação disponível sobre este grupo de enfermidades é pequena e
insuficiente, assim como sua divulgação, o que leva a um elevado nível de
desconhecimento sobre a diferença entre as diversas enfermidades neuromusculares
e mesmo entre as distrofias musculares, tanto em relação ao desenvolvimento,
como evolução, expectativas de vida, formas de herança até o manejo ou cuidado
com os portadores.
Muitos dos afetados têm, em decorrência disto, diminuída sua qualidade de vida
de forma importante, além de sofrerem complicações que podem levá-los à morte
por esta ignorância e falta de informações, tanto entre o público como no meio
médico, de forma geral.
Um outro aspecto é que grande parte dos portadores que vivem nos países em
desenvolvimento não tem acesso a exames diagnósticos avançados, que lhes permita
conhecer ou afastar um tipo específico da enfermidade que sofrem e, com isso,
poderem saber o que esperar do futuro e o risco de transmiti-la a seus filhos.
Por estes motivos, nós abaixo assinados decidimos escolher o 17 de setembro para
que seja comemorado o "Dia da Distrofia Muscular e das Doenças Neuromusculares
na Internet" e, assim, usarmos um meio tão importante como a internet para gerar
consciência na maioria dos meios de comunicação de massa (TV, rádio, imprensa),
governos, instituições de saúde e do público em geral. Esperamos que todos
colaborem para que se dê mais atenção e maior divulgação a estas enfermidades
que trazem danos ao tecido nervoso e muscular, bases de duas das mais
importantes faculdades do ser humano, vida e independência e para que, apesar de
não haver cura, possam ajudar a por em marcha uma série de ações de nível
nacional e internacional, que permitam dar a melhor qualidade de vida possível a
todos os afetados e, sobretudo, esperança.
Espera-se que a consciência gerada por este dia possa continuar com a criação
deste Dia Internacional da Distrofia Muscular e das Doenças Neuromusculares e
que o futuro leve a um maior financiamento mundial para investigações que
busquem possíveis curas.
Escolheu-se o 17 de setembro porque neste dia é comemorado o nascimento do
Dr.Guillaume Duchenne (1806-1875), um dos primeiros médicos que no século XIX
interessou-se em descrever e classificar pela primeira vez a distrofia muscular,
criar os primeiros exames para diagnosticá-las e cujo nome designa o tipo de
distrofia e enfermidade neuromuscular mais antiga e conhecida.
Por isto pedimos, com o maior respeito, a todo webmaster e usuário da internet
que difunda este manifesto do Dia da Distrofia Muscular e das Doenças
Neuromusculares na Internet, assim como para todos os que se conectem com os
sites da web sobre enfermidades neuromusculares que respaldem este manifesto.
Tradução para o Português por Dra. Ana Lucia Langer

